As conversas de paz entre o Governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (FARC-EP) entram hoje em um recesso de cinco dias, depois de ambas partes reconhecerem avanços no processo.
Segundo acordaram as delegações da guerrilha e do gabinete de Juan Manuel Santos, a mesa de diálogo instalada no passado dia 19 de novembro nesta capital - sua sede permanente - será retomada no dia 5 de dezembro.
Em um comunicado conjunto divulgado ontem durante a nona jornada das conversas, o Governo e as FARC-EP adiantaram que continuarão concentrados no tema da terra, primeiro ponto da agenda do Acordo Geral para a terminação do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura.
Dito documento foi o resultado de um encontro exploratório realizado também em Havana, texto que além da questão do desenvolvimento agrário integral inclui a participação política, o fim do conflito armado, a solução ao problema do narcotráfico, a atenção às vítimas e os mecanismos de implementação e verificação do acordado na mesa.
O recesso de cinco dias permitirá às partes realizar consultas e análises internas sobre o que foi abordado até agora no processo, que tem Cuba e Noruega como garantes, e a Venezuela e o Chile como acompanhadores.
Pela primeira vez desde o início das conversas no Palácio de Convenções, os enviados do Governo e das forças insurgentes fizeram declarações públicas em um mesmo dia.
Durante as primeiras 11 jornadas, nove de trabalho e duas de recesso, só as FARC-EP tinham emitido comentários e declarações, aproveitando a presença de dezenas de jornalistas cubanos e estrangeiros cada manhã na sede das conversas.
Ao redor das 13:00 hora local (18:00 GMT) desta quinta-feira, o chefe da delegação governamental, o ex-vice presidente Humberto de la Calle, leu um comunicado, através do qual mencionou avanços na mesa de diálogo.
De la Calle destacou a criação de mecanismos para facilitar a participação da sociedade colombiana na busca da paz, e assinalou o compromisso do Governo de trabalhar para chegar ao fim do conflito.
Queremos resultados e compromissos concretos em função dos dois grandes objetivos que temos por diante, o fim do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura, sublinhou na primeira intervenção pública da delegação do executivo.
Por sua vez, a equipe das FARC-EP ofereceu duas horas e meia depois uma coletiva de imprensa no Palácio de Convenções, onde o chefe do grupo, Iván Márquez, destacou o entendimento na mesa e o fato de terem sido dados os primeiros passos para a construção da paz.
A guerrilha expressou também otimismo e vontade para que as conversas fossem bem sucedidas, e enfatizou a importância de estabelecer um cessar fogo bilateral, ao que se opõe o Governo, sob o argumento de que esse cenário não está na agenda da aproximação.
"Seria ideal um cessar fogo bilateral, Se não for possível, gostaríamos de explorar com o Governo a possibilidade de um tratado de regulamentação da guerra que possa atenuar o sofrimento causado pela mesma", apontou Márquez.
As partes expressaram ontem sua gratidão aos países garantes do processo (Cuba e Noruega), bem como aos acompanhantes (Venezuela e Chile).
Além disso, anunciaram a publicação no próximo dia 7 de dezembro de uma página de internet sobre a mesa de diálogo, na qual estarão disponíveis comunicados conjuntos dos interlocutores e que facilitará a participação popular nas conversas.
Tanto as FARC-EP como o Governo têm manifestado seu desejo de receber na mesa critérios e propostas dos diferentes atores da sociedade colombiana, em aras de enriquecer o diálogo cujo objetivo é pôr fim a décadas de um sangrento conflito.
