As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (FARC-EP) apresentarão hoje aos delegados do Governo oito propostas para o reordenamento e uso territorial, na mesa de diálogo com sede em Cuba.
Pouco antes de reiniciar uma nova jornada de diálogos, o chefe da delegação guerrilheira, Iván Márquez, explicou no Palácio de Convenções que a guerrilha entregará o texto para que seja considerado durante as conversas.
Entre as propostas apresentadas nesta quarta-feira pelo próprio Márquez, figuram o ordenamento social e ambiental, democrático e participativo do território, o que implica convocar um debate nacional a respeito da reordenação espacial e territorial.
Assim mesmo, as FARC defendem a proposta de reordenamiento e o uso da terra para a soberania alimentar e o abastecimento nutricional e alimentar da população, que inclui, entre outros, a atualização e definição precisa das zonas de reserva florestal e de parques naturais.
Segundo a guerrilha, o reordenamento territorial deve desestimular a pecuária extensiva, liberando não menos que 20 milhões de hectares para fins agrícolas.
"Será definido o limite da fronteira agrícola, o aumento da produção alimentar, colocaremos um freio ao desmatamento e às atividades de extração mineiro-energética, especialmente a mineração a céu aberto", indica o comunicado.
Além disso, o documento alude à sustentabilidade socioambiental, direito à água e proteção das fontes hídricas e dos ecossistemas frágeis, assim como à definição de territórios de produção agrícola e de alimentos.
É primordial que o objetivo da produção agrícola seja garantir o abastecimento nutricional e alimentar da população, sustentaram as FARC-EP, ao propor o aumento das áreas efetivamente cultivadas a pelo menos 20 milhões de hectares.
Outros pontos do documento fazem referência à criação de novos assentamentos rurais para a produção agrícola e de alimentos, e de recursos naturais não renováveis em função do interesse nacional e do bom viver da população.
"Pequena e média mineração com sustentabilidade socioambiental" e "Cultivos para uso lícito da maconha, papoula e folha de coca e substituição de cultivos de uso ilícito", completam as oito propostas.
Márquez reiterou que as conversas andam pelo caminho do entendimento, o que "não quer dizer que não se apresentem discrepâncias - que sempre existirão -, mas para isso estamos na mesa, para tentar aproximar as posições", disse. Tanto para as FARC-EP, como para o Governo do presidente Juan Manuel Santos, a questão agrária representa um aspecto essencial para a solução de décadas de conflito armado.
O desenvolvimento rural constitui o primeiro de uma agenda de seis assuntos estabelecida como base das conversas, que inclui outros temas como as garantias para a participação cidadã, o fim do conflito armado e a solução ao problema das drogas ilícitas.
